'eu moro numa pocilga, porque lá não tem coração; queria talvez morar num tédio, onde tediosos chegam em tediosos: isso, para mim, é que é o correto. é legal.
a felicidade deles, que me doutrinam, não é ideal pro meu tipo de visão, porque eles se dizem vividos, mas não viveram a vida que eu vivo; é bem extremo ser. bem legal ser do jeito meu, pena ninguém experimentar; eles estão vivendo cegos, eu morro enxergando: o óbvio para mim: o que está na minha frente e não na deles, porque alguém foi ruim.'
C.G.
'quem é mais egoísta: quem se relaciona prá acabar com a vontade minha e sua de se comunicar, ou quem se fecha em seus sentimentos e deixa de se satisfazer e satisfazer outrém ? sou um egocêntrico por pensar assim ou tenho de parar de pensar prá parar de satisfazer o que eu tenho de mais egoísta no meu ser ?'
C.G.
sei que deveria começar com algo novo: parece que olho prá esse velho caderno e igualmente velhos pensamentos, com a impressão de não serem tão geniais quanto pareciam ser quando os escrevia, e acho que sei a resposta prá isso: a convicção se foi; cerca de três anos se passaram, e ao mesmo tempo que não é muito, qualquer pessoa que esteja apta à mudança constante, como eu, sabe que um mísero dia pode mudar todo o resto.
ultimamente tenho me sentido rendido em vários aspectos; pudera, depois de tantas decepções seguidas ! esse foi um ano que usei pra aprender bastante, e é exatamente aí onde está o problema: me esforço sempre prá aprender com as coisas que dão errado (por culpa minha ou dos outros, nem sei o que é a culpa, enfim), pois sei que tudo é efêmero, inclusive nós mesmos, mas o que realmente me deixa feliz é que sempre soube o que estava fazendo e fui ciente das várias diferenças que me distanciam dos outros.
é claro que penei prá me acostumar com isso, mas já aprendi a diferenciar quando alguém é confiável e leal e quando só quer se aproveitar de uma virtude ou fraqueza sua; hoje eu não ME engano mais, desconfiando do meu feeling aguçado.
e quem sou eu prá ditar o que é certo ou errado ? só sei que meu ideal de vida em sociedade está longe do que a maioria almeja. o dever pelo dever ainda parece algo inalcançável; mas foda-se Kant; também não acredito que as efervescências culturais tenham o poder de afastar-nos do ideal de vida que cada um queira levar, a não ser que sejamos burros (se somos sugestionáveis ou não, acredito que a resiliência não é algo fácil a se alcançar e a cegueira é deveras difícil de ser controlada... no fundo, acredito nas convicções de cada um).
quanta idiossincrasia de merda.
quero voltar a escrever, mas parece que não tenho mais dentro de mim o estopim que me alavancava em dias e mais dias criando, com textos dos quais me orgulhava e ainda me orgulho. acho que a maior ânsia que tenho é essa: escrever ! e nem sei o porquê, que nem a Clarice. só sei que não vivo sem; tantos contos que anseiam continuidade...
e agora, que não tenho mais porra nenhuma pra fazer o dia inteiro, seria tão propício (acho que estou querendo demais... doutrinar a inspiração).
e eu juro que se não fosse lacto-vegetariano, tentava a dieta do dr. atkins.


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